Sempre tive gosto pelos shapes marcados pelas manobras. Já escrevi texto sobre, chamando de “As marcas mais importantes do skate”. Me empolguei quando vi o André Perussi eternizando essas fendas, riscos e sulcos em quadros. Montar um skate e não sair pra andar imediatamente é algo que me incomoda até hoje. Nas vezes que isso acontece, olho pra ele no canto da sala ou no porta-malas do carro e penso: “que skate de poser! Põe isso pra ralar já.”

Shape novo é ótimo, mas é uma história que ainda vai acontecer. Há algum tempo, resolvi começar uma coleção de shapes usados. Não pedi para os skatistas os autografarem: pra mim, eles já estão assinados pelos raspados que cada um impôs à madeira. Qualquer um consegue dar um autógrafo. Fazer um desenho único e inimitável esfregando uma madeira cheia de concaves numa quina de concreto, só uma minoria privilegiada.

Ainda é uma coleção pequena, em formação, mas resolvi compartilhá-la agora que ela tem nome: MANOBRADOS. Sigo na busca de novos itens. E mais histórias escritas em novos velhos shapes.