MINHA FOTO – PANDEMIA

Na edição 218, a seção “Minha Foto” traz um registro feito por Allan Carvalho no auge da pandemia, com um parque deserto de uma cidade irreconhecível. Esta outra foto, do Teatro Municipal de São Paulo, foi feita na mesma época:

Foto Allan Carvalho

Ampliando a visão, convidamos outros fotógrafos para mostrar, através de uma imagem registrada durante a pandemia, sua visão desse período histórico da humanidade. Cidades vazias, o tédio dentro de casa, novos hábitos, sessões solitárias…confira alguns registros e siga se cuidando: o vírus inimigo continua vivo. Use máscara, viva e fique vivo.

foto Caetano Oliveira

Marcus Cida, nollie backside tailslide (foto Rodrigo Porogo)

Renato Custodio (obra de Erika Verzutti – Artrio)

Renato Custódio comenta a obra de Erika Verzutti:

A era da inocência acabou. Essa frase da obra de Erika Verzutti diz muito sobre o momento atual. Não é possível fechar os olhos sobre o que acontece, sobre nossos deveres cívicos (e também não deveres), sobre privilégios, sobre hedonismo exacerbado, abundância do luxo. A desigualdade social cresceu na pandemia, não podemos pensar que somos inocentes. Peço que não confundam, muitos de nós, as vítimas de um mundo tão cruel. E de um lado uma minoria que nega enxergar o próprio privilégio. Não precisamos carregar culpa, mas é preciso observar e refletir. Gostei muito desse termo que escutei da Élle de Bernardini. Gostaria de deixar aqui um trecho do livro Sobre os Ossos dos Mortos, da escritora polonesa Olga Tokarczuk:

“Entendo que a honorável polícia não tem a possibilidade de responder às cartas (não anônimas) escritas pelos cidadãos por algum motivo muito importante. Não questionarei esses motivos, no entanto, me permitirei a voltar ao assunto que havia levantado na carta anterior. Mas não desejo à polícia, nem a qualquer outra pessoa, que seja tão ignorada. Um cidadão ignorado pelas repartições públicas está condenado, de alguma forma, à inexistência. Porém, é preciso lembrar que quem não possui direitos, tampouco tem obrigações.”

Se essa escritora escreveu isso das montanhas polonesas que faz divisa com a Rússia, imagine se ela colar aqui de Brasil. O que será que ela pensaria sobre deveres e obrigações, pensando em um estado autoritário que estamos vivendo hoje, que por séculos escravizou e assassinou muitos povos originários dessa terra?

foto Renato Riani

“Meu skate ficou meses no mesmo lugar e comecei a tomar café. Eu não tomava café de jeito nenhum. Mas a pandemia me obrigou a manter a sanidade ficando ligado.” (Renato Riani)

 

Leo Giacon fazendo o corre do almoço, fotografado por Anairam De Leon:

foto Laura Dias